
Lá estava ele, imerso nos seus pensamentos, numa das salas do Museu de Arte Moderna e Contemporânea de Estrasburgo. Que me inspire, em densidade e serenidade, nos próximos meses. Vou precisar.
Cruzámo-nos com ela numa das ruas estreitas de Pitões das Júnias, serenamente sentada num muro baixo. Deixou-se fotografar e pediu para ver as fotografias. Contou-nos dos seus 89 anos. Do marido que morrera havia 30. Das 3 filhas bem casadas. Da filha que falecera. Enquanto conversávamos, trouxeram-lhe a notícia: entes queridos acabavam de chegar de França. O seu rosto iluminou-se, como poucas vezes vi. Abriu os braços e depois cruzou-os sobre o peito, como a tentar reter a torrente de alegria que de si brotara. Levantou-se, firmou-se no seu fiel de madeira e, lentamente, foi ao encontro daqueles que lhe apaziguariam a solidão durante algum tempo.Foram dois dias de tranquilidade retemperadora. De olhares perdidos na imensidão da serrania e na solidez silenciosa das aldeias. De sentir a água fria das fontes e degustar os sabores da mesa. De ouvir histórias da História e viver a cultura na era digital. Sobretudo, de sentir o aconchego de gentes hospitaleiras… mesmo no pico gelado do Larouco.
E tudo graças à Zabu, a nossa organizadora e guia. A amiga que traz tanta generosidade no coração que ele se torna pequeno para, sozinho, a albergar, fazendo com que, a par e passo, transborde para o seu imenso sorriso.
Barragem de Pisões
Montalegre