J. Castellar-Gassol, Gaudí, La Vida de Un VisionarioDecían que era un tranvía el que había atropellado al viejo, que aún respiraba. A duras penas, fue evacuado a una casa de socorro que había tres calles más abajo.No llevaba encima documentación alguna que le pudiera identificar. Solamente le encontraron, en un bolsillo de la americana, un puñado de pasas y cacahuetes. En el otro bolsillo, un libro arrugado: los Evangelios.(...)Pero el moribundo fue identificado al día seguiente por el capellán del Templo de la Sagrada Familia, Mosén Gil Parés: el desconocido no era sino el arquitecto Antoni Gaudí i Cornet, el constructor visionario del inacabado Templo de la Sagrada Familia.A consecuencia del golpe causado por el tranvía, dos días más tarde, sobre las 5 de la tarde, Gaudí murió en la inhóspita cama de hierro de una pequeña habitación del hospital de los pobres.
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
O fascínio, ainda
domingo, 6 de dezembro de 2009
Canta da cabeça aos pés
Fado da Tristeza
Letra e música de José Mário Branco
In "Ser Solidário"
Não cantes alegrias a fingir
Se alguma dor existir
A roer dentro da toca
Deixa a tristeza sair
Pois só se aprende a sorrir
Com a verdade na boca
Quem canta uma alegria que não tem
Não conta nada a ninguém
Fala verdade a mentir
Cada alegria que inventas
Mata a verdade que tentas
Pois e tentar a fingir
Não cantes alegrias de encomenda
Que a vida não se remenda
Com morte que não morreu
Canta da cabeça aos pés
Canta com aquilo que és
Só podes dar o que é teu
Com um obrigada ao N., que um destes dias me deixou o cd em cima da secretária.
Letra e música de José Mário Branco
In "Ser Solidário"
Não cantes alegrias a fingir
Se alguma dor existir
A roer dentro da toca
Deixa a tristeza sair
Pois só se aprende a sorrir
Com a verdade na boca
Quem canta uma alegria que não tem
Não conta nada a ninguém
Fala verdade a mentir
Cada alegria que inventas
Mata a verdade que tentas
Pois e tentar a fingir
Não cantes alegrias de encomenda
Que a vida não se remenda
Com morte que não morreu
Canta da cabeça aos pés
Canta com aquilo que és
Só podes dar o que é teu
Com um obrigada ao N., que um destes dias me deixou o cd em cima da secretária.
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Gaudí i Cornet


Quando se visita Barcelona, o apelo turístico associado a Gaudí é incontornável. Todavia, e sem negar a grandiosidade e criatividade da obra, outra coisa me tocou de forma mais funda, raiando o espanto: tudo aquilo que os meus olhos tocavam havia sido zelosamente arquitectado no espaço de uma vida. Uma só.
Há obras extraordinárias. Mas há vidas que o são mais. Que desafiam as fronteiras do tempo e do espaço e nos atingem, tantos anos depois, com a força da paixão que as moveu.
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
Pela parte que me toca, muito obrigada!
Vozes do Suburbano #3
Estavam os dois sentados, um em frente ao outro. Ele octogenário, ela mais nova, a uns dez anos de distância. Conversavam, ela ajudava-o a ler papéis. Ali pelo meio, ela inclinou-se na direcção dele, mãos firmemente apoiadas nos seus joelhos, num gesto talhado por uma história de cumplicidade. Olhou com pormenor a sua camisa e depois de se sentar, revelou: "Vou-te comprar outra camisa igual a essa". Ele abanou a cabeça, em concordância. Permaneceram em silêncio até que ele, atirando o queixo na direcção da manga do casaco dela, disse baixinho: "Olha isso". Ela seguiu o rasto do seu olhar e exclamando "Oh, é o forro", compôs-se, o aprumo procurado pela ponta dos dedos. Depois, recostou-se novamente.
Perco-me a observar o carinho entre os outros. Não posso deixar de pensar que há actos banalmente sublimes.
terça-feira, 24 de novembro de 2009
Do sagrado
Mas a detracção daqueles a quem amamos sempre nos separa um pouco deles. Não se deve mexer nos ídolos: o dourado fica-nos agarrado às mãos.
Gustave Flaubert, Madame Bovary
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Apoio
Ando a ler uma tradução francesa de um livro italiano.
Nunca li tantas vezes a palavra soutien.
Já agora, e para prevenir qualquer equívoco, o livro é sobre Pedagogia Intercultural.
Nunca li tantas vezes a palavra soutien.
Já agora, e para prevenir qualquer equívoco, o livro é sobre Pedagogia Intercultural.
domingo, 15 de novembro de 2009
Abrir perspectivas (a todos), por Lévi-Strauss

Falecido recentemente, Claude Lévi-Strauss deixou um poderoso legado. Em dois dos seus artigos, publicados originalmente no The UNESCO Courier*, discorreu acerca da responsabilidade social da ciência em abrir perspectivas à humanidade. A toda a humanidade.
The efforts of science should not only enable mankind to surpass itself; they must also help those who lag behind to catch up. (1951)
The contribution of our sciences will be evaluated, not using dubious methods that are subject to the whims of the day, but according to the new perspectives that they will be able to open to humanity, so that it may better understand its own nature and its history, and therefore also judge it. (1956)
*Re-editados em número especial do The UNESCO Courier, em atempada homenagem sob o título Claude Lévy-Strauss: The view from afar (2008, nº 5)
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
Opacidades
Mesquita Machado, re-eleito Presidente da Câmara Municipal de Braga, foi entrevistado por Fernando Esteves e Nuno Tiago Pinto para a revista Sábado. Foi uma entrevista belicosa, feita de opacidades, não fosse a frase "Não me pronuncio sobre isso" aquela que mais vezes foi regurgitada pelo autarca. O remate será, muito provavelmente, a minha parte preferida:
Continua a jogar muito à sueca?Isso é um problema meu, pá. Faz parte dos meus vícios.Ainda joga todos os dias?Como é que podia? Sempre que posso jogo uma ou duas vezes por semana.Nunca teve a tentação de fazer batota?Não. Nunca gostei de fazer batota na vida.
Provavelmente, Sr. Presidente, o carácter enfático da resposta não passará de outra forma de opacidade.
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Epifania
Emma vivia encarcerada num casamento, cirandando entre ideais de burguesia faustosa e uma profunda melancolia (Não sei se quero morrer se quero ir para Paris). Ao conhecer Léon, não o reconhece. Até ao dia.
O amor, segundo acreditava, devia surgir de repente, com grande tumulto e fulgurações - tempestade dos céus que cai sobre a vida e a revolve, arranca as vontades como folhas e arrebata para o abismo o coração inteiro. Não sabia que, nos terraços das casas, a chuva forma lagos quando as goteiras estão entupidas, e assim vivia confiada na sua segurança, quando subitamente descobriu uma fenda na parede.
Gustave Flaubert, Madame Bovary
O amor, segundo acreditava, devia surgir de repente, com grande tumulto e fulgurações - tempestade dos céus que cai sobre a vida e a revolve, arranca as vontades como folhas e arrebata para o abismo o coração inteiro. Não sabia que, nos terraços das casas, a chuva forma lagos quando as goteiras estão entupidas, e assim vivia confiada na sua segurança, quando subitamente descobriu uma fenda na parede.
Gustave Flaubert, Madame Bovary
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