sexta-feira, 23 de abril de 2010
terça-feira, 20 de abril de 2010
O vulcão
A boca de um vulcão. Sim, boca; e língua de lava. Um corpo, um monstruoso corpo com vida, macho e fêmea ao mesmo tempo. Expele, ejecta. É também um interior, um abismo. Uma coisa viva, que pode morrer. Algo inerte que de vez em quando se agita. Que apenas existe de modo intermitente. Uma ameaça permanente. Ainda que previsível, geralmente imprevista. Caprichosa, insubmissa, malcheirosa. Será isso que se entende por primitivo? Nevado del Ruiz, monte de Santa Helena, La Soufrière, La Pelée, Krakatoa, Tambora. O gigante adormecido que desperta. O gigante vacilante que se vira para nós. King Kong. Vomitando a destruição, para logo voltar a cair na sua letargia.
Susan Sontag, O Amante do Vulcão
Susan Sontag, O Amante do Vulcão
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Limiar sagrado
Há na intimidade um limiar sagrado,
encantamento e paixão não o podem transpor -
mesmo que no silêncio assustador se fundam
os lábios e o coração se rasgue de amor.
Onde a amizade nada pode nem os anos
da felicidade mais sublime e ardente,
onde a alma é livre, e se torna estranha
à vagarosa volúpia e seu langor lento.
Quem corre para o limiar é louco, e quem
o alcançar é ferido de aflição...
Agora compreendes por que já não bate
sob a tua mão em concha o meu coração.
Anna Akhmátova, Só o Sangue Cheira a Sangue
encantamento e paixão não o podem transpor -
mesmo que no silêncio assustador se fundam
os lábios e o coração se rasgue de amor.
Onde a amizade nada pode nem os anos
da felicidade mais sublime e ardente,
onde a alma é livre, e se torna estranha
à vagarosa volúpia e seu langor lento.
Quem corre para o limiar é louco, e quem
o alcançar é ferido de aflição...
Agora compreendes por que já não bate
sob a tua mão em concha o meu coração.
Anna Akhmátova, Só o Sangue Cheira a Sangue
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Fantasias, infelizmente
Fantasias de omnipotência. Amplificar aqui. Suspender acolá. Cortar o som. Como no fundo da orquestra o timbaleiro que, depois de ter arrancado aos seus dois enormes tambores uma enfiada de sons ribombantes, poisa rapidamente as baquetas e abafa o som assentando as palmas da mão muito levemente, muito firmemente, na membrana (…) – assim se poderia calar um pensamento, um sentimento, um temor.
Susan Sontag, O Amante do Vulcão
Susan Sontag, O Amante do Vulcão
sexta-feira, 9 de abril de 2010
quinta-feira, 8 de abril de 2010
terça-feira, 6 de abril de 2010
Kolya e Louka
Kolya tem 5 anos. Louka tem 55.
Kolya fala russo. Louka fala checo.
Num semáforo da vida, Kolya oferece a Louka o gesto que transcende as distâncias e arreda os medos. E ambos aprendem a confiança.
Kolya fala russo. Louka fala checo.
Num semáforo da vida, Kolya oferece a Louka o gesto que transcende as distâncias e arreda os medos. E ambos aprendem a confiança.
Se todos os filmes fossem assim…
Kolya (1996), de Jan Sverák
Kolya (1996), de Jan Sverák
sábado, 3 de abril de 2010
Luz exterior
O que nos fala a tela de Clarissa pintada por Erico Veríssimo? Que o conhecimento de si só se dá em confronto com o mundo e ele é quem molda até aqueles nossos valores mais irredutíveis. Somos todos forjados conforme aqueles retratos feitos em câmara obscura, que se completam unicamente com a captação da luz exterior. (…) Em último caso, o ponto de partida e a única razão de ser de todo o conhecimento e de toda a arte não é nada mais do que a alteridade.
Prefácio de Rodrigo Petrónio à obra Clarissa de Erico Veríssimo
Prefácio de Rodrigo Petrónio à obra Clarissa de Erico Veríssimo
quinta-feira, 1 de abril de 2010
Em trânsito
Destino: qualquer um que permita entrar em estado catatónico durante 3 dias. De preferência, com árvores mais verdes e frondosas do que aquelas projectadas por Calatrava. E desejavelmente, à mesma velocidade a que o Alfa fez hoje o percurso entre Campanhã e Braga: a da caracoleta. O "meu" suburbano porta-se muito melhor. Pelo menos, não frustra as expectativas.
sábado, 27 de março de 2010
Dudamel
Gustavo Dudamel é um maestro aclamado a nível mundial, mantendo actualmente o cargo de director musical da Orquestra Filarmónica de Los Angeles e da Orquestra Sinfónica de Gutemburgo. Como se não bastasse, é ainda o director musical da Orquestra Juvenil de Simón Bolívar. Esta orquestra é uma das cerca de 125 orquestras sob os auspícios da Fundación del Estado para el Sistema de Orquestras Juveniles e Infantiles de Venezuela, conhecida como El Sistema, um projecto que tem utilizado a música clássica para manter milhares de crianças venezuelanas afastadas da delinquência, ao longo de quase 40 anos. Nestes excertos poderão apreciar actuações desta orquestra, da qual fazem parte jovens resgatados pela música à condenação das ruas. O maestro é Dudamel. Um homem extraordinário, não só pela sua genialidade, mas pelo facto de a colocar também ao serviço de um bem maior. Os vídeos, esses, são uma autêntica celebração!
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