O carro passava lentamente pelo estômago da máquina de lavar e eu lá dentro, a tentar distrair a ligeira claustrofobia mudando o CD. Quando abri a caixinha transparente, descobri, serenamente poisado no seu interior, o poema que o meu amigo lá deixara. O meu amigo tem que me desculpar a distracção, não tinha reparado nele antes. Mas o meu amigo tem que saber que fiquei maravilhada com a descoberta, muito mais do que se tivesse achado 80 escudos :)
Obrigada por mais esta prenda talhada em verso.
Está hoje um dia de vento e eu gosto do vento
O vento tem entrado nos meus versos de todas as maneiras e
só entram nos meus versos as coisas de que gosto
o vento das árvores o vento dos cabelos
o vento do inverno o vento do verão
o vento é o melhor veículo que conheço
só ele traz o perfume das flores só ele traz
a música que jaz à beira-mar em agosto
mas só hoje soube verdadeiramente o valor do vento
o vento actualmente vale oitenta escudos
partiu-se o vidro grande da janela do meu quarto
Ruy Belo, Todos os Poemas
Está hoje um dia de vento e eu gosto do vento
O vento tem entrado nos meus versos de todas as maneiras e
só entram nos meus versos as coisas de que gosto
o vento das árvores o vento dos cabelos
o vento do inverno o vento do verão
o vento é o melhor veículo que conheço
só ele traz o perfume das flores só ele traz
a música que jaz à beira-mar em agosto
mas só hoje soube verdadeiramente o valor do vento
o vento actualmente vale oitenta escudos
partiu-se o vidro grande da janela do meu quarto
Ruy Belo, Todos os Poemas





