terça-feira, 13 de julho de 2010
sábado, 10 de julho de 2010
Trânsito caprino
É costume dizer-se que para lá do Marão mandam os que lá estão. Ora, posso garantir que no Gerês se pode aplicar a mesma máxima. Por lá, mandam eles.
quarta-feira, 7 de julho de 2010
Armas? Não. Almas!
Antigamente, antes da invasão, raras vezes pensei em observar a sentinela do Arsenal: (…) era o seu andar, o seu derreado de ombros que me impressionavam… era a moleza lenta do passo, uma expressão contínua e evidente de tédio e de fadiga; (…) E esta visão do nosso soldado parece-me então alargar-se e abranger toda a cidade, todo o País! Foi esta sonolência lúgubre, este tédio, esta falta de decisão, de energia, esta indiferença cínica, este relaxamento da vontade, creio, que nos perderam…
Ainda hoje me soam aos ouvidos as acusações tantas vezes repetidas do tempo da luta: não tínhamos exército, nem esquadra, nem artilharia, nem defesas, nem armas!... Qual! O que não tínhamos era almas… Era isso que estava morto, apagado, adormecido, desnacionalizado, inerte… E quando num Estado as almas estão envilecidas e gastas – o que resta pouco vale.
Eça de Queirós, A Catástrofe, em Contos
Ainda hoje me soam aos ouvidos as acusações tantas vezes repetidas do tempo da luta: não tínhamos exército, nem esquadra, nem artilharia, nem defesas, nem armas!... Qual! O que não tínhamos era almas… Era isso que estava morto, apagado, adormecido, desnacionalizado, inerte… E quando num Estado as almas estão envilecidas e gastas – o que resta pouco vale.
Eça de Queirós, A Catástrofe, em Contos
sexta-feira, 2 de julho de 2010
MacChique
Em Salzburgo, até os anúncios do comércio são sofisticados. Não resisti e cá trago o do Mac. E olhem que o da Zara não ficava nada atrás :-).
terça-feira, 29 de junho de 2010
240' em Salzburgo
240 preciosos minutos passados em Salzburgo, a apreciar a sua grandiosa e pitoresca beleza. 240 minutos passados a calcorrear a Getreidegasse pejada de turistas, a espreitar o seu famoso nº. 9, onde Mozart viu o mundo pela primeira vez, a percorrer o imenso Hohensalzburg Castle, a apreciar um pouco das margens do rio Salzach. Destes minutos, destacaria como mais luminosos aqueles passados entre o miradouro e o castelo, num percurso de um quilómetro pela mata, pontuado aqui e ali por um cenário de cortar a respiração. Este, o da fotografia.
E ali pelo meio, a lembrança: no mesmíssimo dia, no ano anterior, estava internada numa clínica, a recuperar de um ligeiro susto. A vida tem as suas graças. O que será que me estará reservado para o próximo ano? Talvez esteja a fazer o que é mais comum nos meus dias. Talvez porque a vida não é tipicamente vivida nos antípodas da experiência, entre uma cama de hospital ou um passeio em Salzburgo. Talvez a vida seja tão-somente feita de mediania. Talvez.
sábado, 26 de junho de 2010
Por terras da Alta Áustria
Linz não é uma cidade particularmente bonita, e foi uma decepção descobrir que o Danúbio, por estes lados, não é azul, mas castanho. O tempo também não ajudou, mantendo o cinzentismo durante os três dias que por lá estivemos. Ultrapassados estes pormenores, foi sempre a ganhar:
Uma comitiva portuguesa onde reinou o companheirismo e a boa disposição.
Uma equipa europeia com pessoas empenhadas, simpáticas e abertas a novas e diferentes perspectivas. E descobrir que, afinal, ninguém comunicou em inglês, mas noutra língua: o globish :-)
E não posso esquecer as tartes Linz, finalmente no original…
Não será uma cidade a que volte, para conhecer melhor. Mas deixou boas recordações.
Uma comitiva portuguesa onde reinou o companheirismo e a boa disposição.
Uma equipa europeia com pessoas empenhadas, simpáticas e abertas a novas e diferentes perspectivas. E descobrir que, afinal, ninguém comunicou em inglês, mas noutra língua: o globish :-)
E não posso esquecer as tartes Linz, finalmente no original…
Não será uma cidade a que volte, para conhecer melhor. Mas deixou boas recordações.
Igreja de St. Ursula
sexta-feira, 18 de junho de 2010
Saramago, Imortal

(...) que se antes de cada acto nosso nos puséssemos a prever todas as consequências dele, a pensar nelas a sério, primeiro as imediatas, depois as prováveis, depois as possíveis, depois as imagináveis, não chegaríamos sequer a mover-nos de onde o primeiro pensamento nos tivesse feito parar. Os bons e os maus resultados dos nossos ditos e obras vão-se distribuindo, supõe-se que de uma forma bastante uniforme e equilibrada, por todos os dias de futuro, incluindo aqueles, infindáveis, em que já cá não estaremos para poder comprová-lo, para congratular-nos ou pedir perdão, aliás, há quem diga que isso é que é a imortalidade de que tanto se fala (...)
José Saramago, Ensaio sobre a Cegueira
terça-feira, 15 de junho de 2010
Absolute clarity

A few times in my life I've had moments of absolute clarity, when for a few brief seconds the silence drowns out the noise and I can feel rather than think, and things seem so sharp and the world seems so fresh. I can never make these moments last. I cling to them, but like everything, they fade. I have lived my life on these moments. They pull me back to the present, and I realize that everything is exactly the way it was meant to be.
sábado, 12 de junho de 2010
Che fece... il gran rifiuto
Para alguns, entre nós, o implacável dia chega
da grande escolha, da grande decisão
de dizer Sim ou Não.
Aquele que em si sentir a sede de afirmar
pronuncie-se sem demora.
Os caminhos da vida abrir-se-ão para ele
numa cornucópia de benesses.
Mas o outro, o que nega,
ninguém o poderá acusar de falsidade,
e repetirá cada vez mais alto a sua descrença.
Está no seu direito – e, contudo, esta pequena diferença.
Um “Não” por um “Sim” – afunda uma vida inteira.
Constantine P. Cavafy (1901), citado por Lawrence Durrell em Clea
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