sábado, 31 de julho de 2010

Imodificável (?)

O homem vive, e corrige, ajusta, edifica, e destrói, algumas vezes, a sua vida; mas, passado tempo, dá-se conta de que o todo, tal como está, por força dos erros e do acaso, é imodificável. (…) Quando alguém emerge do passado para anunciar, em voz comovida, que quer pôr “tudo” em ordem, só podemos lamentar e sorrir das suas intenções; o tempo já tudo “pôs em ordem”, à sua estranha maneira, da única maneira possível.

Sándor Márai, A Herança de Eszter, Biblioteca Sábado, 2010, p. 81



Sándor Márai, por Tullio Pericoli


domingo, 25 de julho de 2010

15 segundos de fama

No passado dia 30 de Maio, depois de participarmos na Corrida da Mulher, e encontrando-nos a recarregar baterias ali para os lados da Praça da República, no Porto, somos acercadas por uma equipa de reportagem da TV Litoral, Brasil. O vídeo aqui postado documenta os 15 segundos de fama das três moçoilas, a mana, eu e a Isabel. A apresentação da praxe ocorre ali pelos 24’23’’ e a despedida, a minha parte preferida, pode ser visionada pelos 18’56’’. Reparem bem na forma profissional como publicitámos a estação de televisão e na competência no arremesso de beijinhos. Não há dúvida, acho que temos futuro :-)

Enjoy! I did!

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Christopher "Gaga" Walken



A Lady Gaga que se cuide, tem aqui concorrência à altura. Na minha modesta opinião, só lhe faltam umas roupinhas à maneira e… the sky is the limit!

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Do excesso

E era então que ele se refugiava intensamente na leitura de Schopenhauer e do Ecclesiastes. Porque? Sem dúvida porque ambos esses pessimistas o confirmavam nas conclusões que ele tirava de uma experiência paciente e rigorosa, “que tudo é vaidade ou dor, que quanto mais se sabe, mais se pena, e que ter sido rei de Jerusalém e obtido os gozos todos na vida só leva a maior amargura…” Mas porque rolara assim a tão escura desilusão – o saudável, rico, sereno e intelectual Jacinto? O velho escudeiro Grilo pretendia que “Sua Excelência sofria de fartura”.

Eça de Queirós, Civilização, em Contos, Bertrand Editora, 2008, p. 315

terça-feira, 13 de julho de 2010

Despojos

Vilarinho das Furnas, Parque Nacional da Peneda-Gerês

sábado, 10 de julho de 2010

Porque há espaços que nos ressuscitam


Vilarinho das Furnas, Parque Nacional Peneda-Gerês

Trânsito caprino

Carvalheira, Parque Nacional Peneda-Gerês

É costume dizer-se que para lá do Marão mandam os que lá estão. Ora, posso garantir que no Gerês se pode aplicar a mesma máxima. Por lá, mandam eles.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Armas? Não. Almas!

Antigamente, antes da invasão, raras vezes pensei em observar a sentinela do Arsenal: (…) era o seu andar, o seu derreado de ombros que me impressionavam… era a moleza lenta do passo, uma expressão contínua e evidente de tédio e de fadiga; (…) E esta visão do nosso soldado parece-me então alargar-se e abranger toda a cidade, todo o País! Foi esta sonolência lúgubre, este tédio, esta falta de decisão, de energia, esta indiferença cínica, este relaxamento da vontade, creio, que nos perderam…
Ainda hoje me soam aos ouvidos as acusações tantas vezes repetidas do tempo da luta: não tínhamos exército, nem esquadra, nem artilharia, nem defesas, nem armas!... Qual! O que não tínhamos era almas… Era isso que estava morto, apagado, adormecido, desnacionalizado, inerte… E quando num Estado as almas estão envilecidas e gastas – o que resta pouco vale.


Eça de Queirós, A Catástrofe, em Contos

sexta-feira, 2 de julho de 2010

MacChique

Algures, na Getreidegasse

Em Salzburgo, até os anúncios do comércio são sofisticados. Não resisti e cá trago o do Mac. E olhem que o da Zara não ficava nada atrás :-).

terça-feira, 29 de junho de 2010

240' em Salzburgo

240 preciosos minutos passados em Salzburgo, a apreciar a sua grandiosa e pitoresca beleza. 240 minutos passados a calcorrear a Getreidegasse pejada de turistas, a espreitar o seu famoso nº. 9, onde Mozart viu o mundo pela primeira vez, a percorrer o imenso Hohensalzburg Castle, a apreciar um pouco das margens do rio Salzach. Destes minutos, destacaria como mais luminosos aqueles passados entre o miradouro e o castelo, num percurso de um quilómetro pela mata, pontuado aqui e ali por um cenário de cortar a respiração. Este, o da fotografia.

E ali pelo meio, a lembrança: no mesmíssimo dia, no ano anterior, estava internada numa clínica, a recuperar de um ligeiro susto. A vida tem as suas graças. O que será que me estará reservado para o próximo ano? Talvez esteja a fazer o que é mais comum nos meus dias. Talvez porque a vida não é tipicamente vivida nos antípodas da experiência, entre uma cama de hospital ou um passeio em Salzburgo. Talvez a vida seja tão-somente feita de mediania. Talvez.