Este é o tempo a que pomposamente chamo “clausura generativa”. Nesta fase, ganha mais sentido o que ouvíramos daqueles que viveram situações similares: “a travessia do deserto”, “o tempo da solidão”, os “dias de sacrifício”. Tudo verdade. E apesar de nos dizerem que compensaremos o tempo perdido, mantém-se uma percepção residual do irremediável. Aquela que se reforça quando, passando por um sítio de que se gosta, se lê assim:
Cada dia sem gozo não foi teu:
Foi só durares nele. Quanto vivas
Sem que o gozes, não vives.
Não pesa que amas, bebas ou sorrias:
Basta o reflexo do sol ido na água
De um charco, se te é grato.
Feliz o a quem, por ter em coisas mínimas
Seu prazer posto, nenhum dia nega
A natural ventura!
Ricardo Reis
Cada dia sem gozo não foi teu:
Foi só durares nele. Quanto vivas
Sem que o gozes, não vives.
Não pesa que amas, bebas ou sorrias:
Basta o reflexo do sol ido na água
De um charco, se te é grato.
Feliz o a quem, por ter em coisas mínimas
Seu prazer posto, nenhum dia nega
A natural ventura!
Ricardo Reis





