sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

O sucesso, por Alain de Botton



Não conhecia Alain de Botton até que, passando pela Sic Radical, apanhei esta sua TED Talk. Recuperei-a integralmente na internet e achei que muito do que dizia fazia perfeito sentido. Estas palavras, por exemplo:

So, what I want to argue for is not that we should give up on our ideas of success, but we should make sure that they are our own. We should focus in our own ideas and make sure that we own them, we are the truly authors of our own ambitions. Because is bad enough not getting what you want, but it’s even worse to have an idea of what you think you want and find out, at the end of the journey, that isn’t in fact what you wanted all along.

É claro que depois lemos notícias como esta, divulgada esta semana, e reconhecemos que todo este discurso é aplicável a uma percentagem muito pequena deste mundo. Uma parcela muito maior não se encontra a ponderar o sentido do sucesso, mas apenas a tentar manter-se à superfície.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Sunshine Award 2011

Obrigada, Ana, Margarida e Sandra!
Não distribuirei o "sunshine", mas posso assegurar que os vossos blogues figuram entre os meus eleitos :)

domingo, 23 de janeiro de 2011

Depois da clausura... Paris

A rematar um período de clausura, uma breve pausa para restabelecer o equilíbrio que por vezes se perde na voragem do trabalho, dos prazos e das pressões. E Paris não representou uma pausa qualquer. Sem entrar em grandes detalhes, apenas direi que vim encantada e renovada. É que, estão a ver, foi a minha estreia na Cidade Luz, o encontro com múltiplas imagens que desde há muito habitavam o imaginário. E, apesar das elevadas expectativas, excedeu-as.
Pelo convite, pela companhia, por ser a guia mais atenta e generosa que poderia ter tido, o meu imenso obrigada à minha amiga Isabel, a parisiense tão ou mais Encantadora que a cidade que a viu nascer.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Alegria

La Educación de las Hadas (2006) de José Luis Cuerda

La alegría es más escasa, más difícil y más bella que la tristeza. Más que una necesidad natural, se ha convertido para mí en una obligación moral.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Eis que a hora se inclina e me vem tocar

Eis que a hora se inclina e me vem tocar
com pancada metálica e clara:
tremem meus sentidos. Sinto poder agarrar
o dia que plasticamente se declara.

Nada era perfeito antes de eu o olhar,
todo o devir se imobilizara.
Ao meu olhar amadurecido se vem apresentar
como noiva a coisa que desejara.

Nada é ínfimo, mesmo assim amá-lo-ei
pintando-o grande em fundo que o dourará,
e levantando-o e a quem, não sei,
a alma libertará...

Rainer Maria Rilke, O Livro de Horas, Assírio & Alvim, p. 27

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Para todos...

Sem cara de pau, mas mantendo este largo sorriso, desejo a todos um Feliz Natal e um excelente 2011!

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

(Des)Ordem natural

Chris Ofili, The Raising of Lazarus (2007)


Nascemos, vivemos, morremos.
Por vezes, não necessariamente nesta ordem.

(Anatomia de Grey, T5 – Ep.7)

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Contentemo-nos

José Saramago fotografado por Sebastião Salgado, Lanzarote

A vida, qualquer vida, cria os seus próprios laços, diferentes de uma para outra, estabelece uma inércia que lhe é intrínseca, incompreensível para quem de fora criticamente observe segundo leis suas, por sua vez inacessíveis ao entendimento do observado, enfim, contentemo-nos com o pouco que formos capazes de compreender da vida dos outros, eles nos agradecem e talvez nos retribuam.

José Saramago, O Ano da Morte de Ricardo Reis, Caminho, p. 198

terça-feira, 30 de novembro de 2010

A gente vai continuar*


A Gente Vai Continuar - letra e música de Jorge Palma

Tira a mão do queixo não penses mais nisso
O que lá vai já deu o que tinha a dar
Quem ganhou ganhou e usou-se disso
Quem perdeu há-de ter mais cartas pra dar
E enquanto alguns fazem figura
Outros sucumbem à batota
Chega a onde tu quiseres
Mas goza bem a tua rota

Enquanto houver estrada pra andar
A gente vai continuar
Enquanto houver estrada pra andar
Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai parar
Enquanto houver ventos e mar

Todos nós pagamos por tudo o que usamos
O sistema é antigo e não poupa ninguém
Somos todos escravos do que precisamos
Reduz as necessidades se queres passar bem
Que a dependência é uma besta
Que dá cabo do desejo
A liberdade é uma maluca
Que sabe quanto vale um beijo

*Com um grande obrigada à A., pela partilha.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Peçonha

Quando a mentira nos envenena o sangue, é um alívio cortar as veias e deixar correr a peçonha.

Miguel Torga, O Segredo, da obra Pedras Lavradas, integrada na colectânea Contos, Dom Quixote, p. 541
[um dos melhores contos que li até hoje]