sábado, 3 de setembro de 2011

Um festival de jardins

É um festival original e pouco vulgar, em que a criatividade e o encantamento têm lugar marcado. Realiza-se anualmente em Ponte de Lima, sendo a edição deste ano evocativa de um tema sobejamente relevante: as florestas. Percorrendo os diversos jardins, é possível aceder a diversas perspectivas acerca deste tema, desde a sua associação à infância e ao imaginário, até à chamada à reflexão em torno de fenómenos como os incêndios, que todos os anos devassam este património insubstituível.
Deixo-vos aqui o convite para visitar este festival, que estará aberto ao público até ao dia 31 de Outubro. Garanto que vale muito a pena. Garanto também que a minha enormíssima costela limiana em nada perturba a lisura do meu julgamento :)))





1. A Floresta da Infância - Concepção da ideia e concepção técnica: Elise Le Duc, Laura Feliciani e Silvia Petrini.
2. A Floresta Pop-Up - Concepção da ideia e concepção técnica: Bruno Santos, Carla Rodrigues, Marina Costa e Radu Matt.
3. Jardim Radiante - Concepção da ideia e concepção técnica: Niklas Kandelsdorfer, Fabian Schicker, Philipp Stöger e DI Roland Wück.
4. Kaos Suspenso (jardim vencedor da edição anterior) - Concepção da ideia: MERGELAB: José Pedro Torres, Pedro Negrão e Teresa Aroso; Concepção técnica: MERGELAB, NEOT URF e STRUCONCEPT.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Voltei, mas...

… confesso já sentir falta das longas caminhadas matinais. Aquelas em que tantas vezes o fôlego faltou, menos devido ao ritmo dos passos e mais por efeito da arte dos elementos, depurada durante a noite, combinada para criar o inimitável.

Viana do Castelo

domingo, 31 de julho de 2011

Vamos!

Vamos! Chegou o momento de quebrar a concha
E ir ao encontro do mar cintilante
Por novos caminhos que os nossos passos conhecem
Que seguiremos juntos, hesitantes de fraqueza.

Michel Houellebecq, A Possibilidade de uma Ilha, Dom Quixote, p. 313

Prainha, Caniçal, Madeira

Aproveitando as palavras de Houellebecq, é com prazer que digo: Vou! Vou para junto do mar! E posso garantir que não há qualquer hesitação nos passos que me levam até ele :))
Este estaminé reabre em Setembro. Umas óptimas férias!



quarta-feira, 20 de julho de 2011

Esforço

No centro de Vila Nova de Cerveira é possível apreciar esta escultura, constituída por uma estrutura metálica triangular e um bloco de pedra, associados a um fluxo ascendente de água. Se nos aproximarmos da sua base, verificamos tratar-se de uma obra da autoria do escultor José Rodrigues, doada à cidade e intitulada “Esforço”. Observando a escultura mais atentamente, não há como não reconhecer a persistência, constância e direcção evocadas, ingredientes essenciais dessa palavra maior com que foi baptizada.

A propósito, o escultor José Rodrigues vai, muito merecidamente, ser homenageado na 16ª Bienal de Arte de Vila Nova de Cerveira, a decorrer entre 16 de Julho e 17 de Setembro. Aproveito para deixar esta sugestão para férias. Eu irei espreitar, certamente.



sábado, 16 de julho de 2011

Faculdades superiores

Mark Chagall, Les Amants au Ciel Rouge, 1950

Se uma sociedade contasse só com a inteligência como seu eixo motor, não mudava nunca e perecia decerto por falta de mobilidade dos seus desejos e das suas afeições. Os ímpetos irreflectidos, os movimentos de cólera ou de alegria súbita, as demonstrações de ternura que contagiam toda a gente, o estado romântico em suma, têm uma grande audiência e um grande favor nos meios que percebem quanto as faculdades inferiores contribuem para a transformação das situações.

Agustina Bessa-Luís, Memórias Laurentinas, Guimarães Editores, p. 222

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Saciados

Vila Praia de Âncora, Viana do Castelo


Se ao menos o pôr do sol se pudesse comer
ficaríamos saciados.

J. M. Coetzee, No Coração desta Terra, Publicações D. Quixote, p. 144



sexta-feira, 1 de julho de 2011

Posse incerta

...
Dizem meu como alguém gosta por vezes
de ao príncipe amigo chamar em conversa com camponeses,
quando este príncipe é muito grande e muito distante.
Dizem meu dos muros sem calor
e nem sequer conhecem de sua casa o senhor.
Dizem meu e a isso chamam posse num instante,
quando se fecha cada coisa de que sua mão se abeira,
tal como um charlatão de feira
que talvez ao sol chame seu e ao clarão relampejante.
Assim dizem: minha vida, minha mulher também,
meu cão, meu filho e no entanto sabem bem
que tudo: vida, mulher e cão e filho somente
estranhas criações são, em que cegamente
tocam de mãos estendidas, na incerteza. 
... 

Rainer Maria Rilke, O Livro de Horas, Assírio & Alvim, p. 273 

Forum des Halles, Paris

domingo, 26 de junho de 2011

Estrada, eu sou


Maria Bethânia, Tocando em Frente
Composição: Almir Sater / Renato Teixeira

...
Penso que cumprir a vida seja simplesmente
Compreender a marcha e ir tocando em frente
Como um velho boiadeiro levando a boiada
Eu vou tocando os dias pela longa estrada, eu sou
Estrada eu vou


...
Todo mundo ama um dia, todo mundo chora
Um dia a gente chega, no outro vai embora
Cada um de nós compõe a sua história
E cada ser em si carrega o dom de ser capaz
De ser feliz

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Boa sorte e fortuna

Para quem vive entre Braga e Porto, o S. João é incontornável. Por isso, ontem houve festa, menos pública e mais privada, mas sem negligenciar certas tradições. E nem faltou o alho-porro, captado quando ainda preso à terra. O tom azul é efeito de alguma asneira que fiz com a máquina, mas cujo resultado gostei :-). Aqui os deixo, sem pancadinha na cabeça, mas com votos de boa sorte e fortuna para todos.


domingo, 19 de junho de 2011

A vida dos outros

Paula Rego, À Janela, 1997

Parece haver a necessidade de saber o que a vida dá aos outros, ou de saber como é para os outros a vida; pensar nela e falar dela. Uma necessidade de viver fora, nessa curiosidade pela vida dos outros, ou uma forma de preencher o vazio da nossa, distrair-nos dos incómodos, dos trabalhos que nos dá. E assim passar o tempo. Aconteceu uma desgraça? Um caso estranho? Porquê? Como se explica? Corre-se a ver, a ouvir. Ah, é assim? Não, qual quê! Assim não pode ser. Como então? E quando nada acontece, o aborrecimento, o peso das ocupações habituais. E a angústia de ver, como vê agora a senhora Léuca, morrer lentamente nas vidraças a luz do dia.

Luigi Pirandello, Pena de Viver Assim, Biblioteca Editores Independentes, pp. 25-26