sexta-feira, 4 de novembro de 2011

"Imbicta"

A revista Lonely Planet propôs o Porto como o 4º destino mundial predileto para 2012. Apesar das desconfianças face a estes rankings, acho que, neste caso, não lhe faltam boas razões. Algumas fotografei-as esta semana, numa breve escapadela, aproveitando um esplendoroso sol outonal.
Neste caso, é inevitável recordar uma experiência vivida em Setembro, em Genebra. Uma das tarefas que lá nos levou foi a apresentação de um congresso que decorrerá no Porto, em 2012. É da praxe incluir uma breve incursão pela cidade que acolherá o encontro. Confesso que, nestes tempos tão difíceis, foi com grande emoção e orgulho que vi o grande ecrã encher-se com as imagens do nosso Porto e que ouvi, no final, os aplausos de pessoas vindas dos cinco continentes. Cá as esperamos, no próximo ano, nesta extraordinária cidade. Pedimos que tragam o cérebro e a carteira. Precisaremos de ambos :-)



1. Vista a partir da Ponte D. Luís; 2. Numa rua da Sé.

domingo, 30 de outubro de 2011

Trabalhadora inteligente

"E a sua dúvida pode tornar-se uma boa qualidade se a educar. Tem de tornar-se conhecedora, tem de tornar-se crítica. Sempre que a dúvida quiser corromper qualquer coisa, pergunte-lhe por que razão essa coisa é feia, exija-lhe provas, examine-a, e talvez ela lhe pareça perplexa e embaraçada, talvez mesmo irritante. Mas não ceda, peça-lhe argumentos e proceda sempre assim caso a caso, de modo atento e consequente, e chegará o dia em que a dúvida deixará de ser destruidora para se tornar um dos seus melhores trabalhadores – talvez o mais inteligente entre todos os que constroem a sua vida."

Rainer Maria Rilke, Cartas a Um Jovem Poeta, Edições Quasi, pp. 82-83.


Auguste Rodin, O Pensador, 1904 | Museu de Arte Moderna e Contemporânea de Estrasburgo


terça-feira, 25 de outubro de 2011

Onde as crianças dormem


O fotógrafo James Mollison retrata no livro “Where Children Sleep” os locais onde dormem crianças de vários pontos do planeta. Neste livro podemos encontrar, por exemplo, o quarto que Indira, de 7 anos, partilha com os pais e irmãos em Katmandu, onde Indira trabalha numa pedreira; ou o quarto de Jasmine, de 4 anos, que reside no Kentucky e já participou em 100 concursos de beleza; ou ainda o quarto em cujo chão dorme Erien, grávida aos 14 anos e moradora numa favela do Rio de Janeiro; ou o colchão que um menino romeno de 4 anos partilha com a família nos arredores de Roma.

As imagens são um bom mote reflexivo acerca de circunstâncias culturais ou mesmo relativismo cultural mas, sobretudo, acerca daquilo que nunca deverá ser relativo: os direitos das crianças, constantemente sujeitos a atropelos e incúria, do outro lado do mundo ou do outro lado da rua.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Rompendo passagens

Fernand Léger, Les Trapézistes, 1954

Têm razão os cépticos quando afirmam que a história da humanidade é uma interminável sucessão de ocasiões perdidas. Felizmente, graças à inesgotável generosidade da imaginação, cá vamos suprindo as faltas, preenchendo as lacunas o melhor que se pode, rompendo passagens em becos sem saída e que sem saída irão continuar, inventando chaves para abrir portas órfãs de fechaduras ou que nunca a tiveram.

José Saramago, A Viagem do Elefante, Caminho, p. 223

sábado, 15 de outubro de 2011

O impreciso que embala

E é sempre melhor o impreciso que embala do que o certo que basta,
Porque o que basta acaba onde basta, e onde acaba não basta,
E nada que se pareça com isso devia ser o sentido da vida…

Fernando Pessoa, Ficções do Interlúdio - Poemas publicados em vida.
Biblioteca Editores Independentes, p. 33.



Viana do Castelo


sábado, 8 de outubro de 2011

rosas e Rosas

São rosas brancas do quintal da mãe. Gosto particularmente delas, da sua delicadeza e elegância, da sua despretensão. Gosto da sua fragilidade e de que essa condição não seja impeditiva de que resistam pelo Outono dentro. Recordam-me outras Rosas, e Teresas, e Marias, e Luísas, e Anas…, de aparente fragilidade, mas que resistem adentrando outonos, lutam adentrando invernos.
Por isso, e porque não deixam de constituir um símbolo de paz, estas rosas são também um muito singelo tributo a três mulheres que foram merecidamente agraciadas com o Nobel da Paz pela sua luta pacífica a favor dos direitos das mulheres: Ellen Johnson Sirleaf, Leymah Gbowee e Tawakkul Karman.
Sem sombra de dúvida, a melhor notícia da semana.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Breves incandescências


Foz do Rio Minho, Caminha



















Eis o que eu aprendi
nesses vales
onde se afundam os poentes:
afinal, tudo são luzes
e a gente se acende é nos outros.
A vida é um fogo,
Nós somos suas breves incandescências.

Mia Couto, Um Rio Chamado Tempo, Uma Casa Chamada Terra, Caminho, p. 241

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Receita para não engordar sem necessidade de ingerir arroz integral e chá de jasmim

Fotografia da minha Mana

Pratique o amor integral
uma vez por dia
desde a aurora matinal
até a hora em que o mocho espia.

Não perca um minuto só
neste regime sensacional.
Pois a vida é um sonho e, se tudo é pó,
que seja pó de amor integral.


Carlos Drummond de Andrade, Declaração de amor - Canção de namorados.

domingo, 25 de setembro de 2011

Em trabalho(s), por cá e por lá

Setembro tem sido um mês de trabalho intenso, razão que explica o mutismo da blogger. Uma pequena parte das tarefas implicou uma deslocação a uma cidade bonita, cosmopolita, conhecida por constituir um importante centro político e cultural europeu, já para não falar do seu famoso lago e jato de água, dos canivetes, relógios e chocolates. Sei que já adivinharam e que as imagens já não servirão para a identificar, mas tão-somente para fruir um pouco da sua beleza.





1.Jato de Água; 2. Lago Léman com alguns dos seus elegantes “locais”; 3. Catedral de Saint-Pierre; 4. Uma perspetiva da chegada do Outono, a partir do Promenade de Treille.

sábado, 10 de setembro de 2011

Num Mundo Melhor



Num Mundo Melhor (2010), de Susanne Bier

Um homem é agredido por outro homem. A cena é observada por quatro crianças, duas das quais são filhas do agredido. Em resposta à agressão, o homem agredido afasta-se. O seu filho mais velho e um amigo deste, recorrentemente maltratados na escola por pares, acham a sua reação cobarde e pressionam-no no sentido de tomar outra atitude, em que não saia como “perdedor”.
Não contarei o que fez este homem, este pai, para ensinar aos filhos que um homem corajoso nem sempre é aquele que estende o punho, mas sim aquele que se afasta em nome da visão do mundo e da vida que tem para si e para os seus. Apenas direi que o desenrolar da narrativa acaba por dar razão a este homem, às suas atitudes a ao poderoso significado das mesmas.
Num mundo melhor, isto não seria tantas vezes ficção.