- Mamã, o que é a língua?
- A língua é a casa onde o homem habita.
Jean-Luc Godard, Deux ou Trois Choses que Je Sais d’ Elle (1967).
Há tempos, participei numa formação sobre as regras do novo acordo ortográfico. O formador afirmava que a grande dificuldade na aplicação das novas regras era de natureza perceptiva (ou, como boa formanda, deverei escrever “percetiva”). Não poderia discordar mais e a frase na boca da personagem de Godard fala por mim. Posso dizer, inspirando-me nela, que mantenho a nítida impressão de que, nos últimos tempos, me arrombaram a porta de casa e perpetraram um sério furto. E os efeitos de um furto doloroso nunca são unicamente perceptivos, senhor formador.







