A gente pergunta quando muito porque é que existem as coisas, o mundo e assim. Mas nunca perguntamos porque é que existe a própria razão e o seu modo de ser razão para se perguntar. Porque é que ela há-de ser assim, e não de outra maneira, porque é que existe a pergunta. (…) Mas se nós perguntamos, há-de ter um sentido isso, a pergunta. Não são só as coisas, o universo e tudo o que quiseres, é também o perguntares. Porque é que perguntas? (…) E então eu digo: porque isso é um facto como haver pedras. Portanto perguntar é necessário. E se é necessário, também é necessário querer achar uma resposta.
Vergílio Ferreira,
Em Nome da Terra, Bertrand Editora, p. 261.
[Um livro sobre os nossos maiores medos: a perda dos que amamos, pela morte ou pelo abandono, a degradação física e mental, a solidão. Um livro como um soco, doloroso e certeiro, a deixar um rasto de nódoas negras. Um livro cujo personagem principal não é apenas João Vieira: sou eu, somos todos nós.]