| Vieira da Silva, "História Tragico-Marítima", 1944 |
sábado, 29 de setembro de 2012
sexta-feira, 21 de setembro de 2012
Vereda da Ponta de S. Lourenço
O acidentado do terreno não o torna muito apelativo a acrofóbicos, abissofóbicos e outros que tais. Mas é uma experiência em deslumbramento constante. E esta fóbica que daqui vos escreve, que tem uma relação difícil com precípios e acidentes topográficos afins, garante que vale a pena aguentar os tremeliques para apreciar esta raridade lusa. Continua a ser verdade: vencer os medos resulta em fotografias bestiais [entre outras coisas] :)))
quarta-feira, 15 de agosto de 2012
domingo, 22 de julho de 2012
Sem medida
domingo, 15 de julho de 2012
A alegria livre do presente!
¡Qué tristeza este pasar
el caudal de cada día
(¡vueltas arriba y abajo!),
por el puente de la noche
(¡vueltas abajo y arriba!),
al otro sol!
¡Quién supiera
dejar el manto, contento,
en las manos del pasado;
no mirar más lo que fue;
entrar de frente y gustoso,
todo desnudo, en la libre
alegría del presente!
Juan Ramón Jimenez
| Margem do lago Léman, Genebra |
domingo, 24 de junho de 2012
O mundo que olha o mundo
Normalmente, pensa-se que o eu é uma pessoa debruçada para fora dos seus próprios olhos como se estivesse no parapeito de uma janela e que observa o mundo que se estende em toda a sua vastidão, ali, diante de si. Portanto: há uma janela que dá para o mundo. Do lado de lá está o mundo; e do lado de cá? Sempre o mundo: que outra coisa queriam que estivesse? E então, fora da janela, o que é que fica? Ainda e sempre o mundo, que nesta ocasião se desdobrou em mundo que olha e mundo que é olhado. (…) Ou então, dado que há mundo do lado de cá e mundo do lado de lá da janela talvez o eu não seja mais do que a janela através da qual o mundo olha o mundo.
Ítalo Calvino, Palomar, Editorial Teorema, p. 118
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| Um olhar sobre o rio Minho, a partir de Tui |
sábado, 16 de junho de 2012
Mar Sonoro
Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim,
A tua beleza aumenta quando estamos sós
E tão fundo intimamente a tua voz
Segue o mais secreto bailar do meu sonho,
Que momentos há em que eu suponho
Seres um milagre criado só para mim.
Sophia de Mello Breyner Andresen, Dia do Mar, in Obra Poética I, Caminho, p. 84.
sábado, 9 de junho de 2012
A resposta
Afinal, uma pessoa sempre responde com a sua vida inteira às perguntas mais importantes. Não importa o que diz entretanto, com que palavras e argumentos se defende. No fim, no fim de tudo, com os factos da sua vida responde às perguntas que o mundo lhe dirigiu com tanta insistência (…): Quem és tu?... Que querias realmente?... Que sabias realmente?... A que foste fiel ou infiel?... A quê ou a quem mostraste ser corajoso ou cobarde?... (…) O importante é que no fim, uma pessoa responde com toda a sua vida.
Sándor Márai, As Velas Ardem Até ao Fim, D. Quixote, pp. 88-89.
sábado, 2 de junho de 2012
O diagnóstico do Dr. Epaminondas
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| Ilustração de Evelina Oliveira |
Paulo tinha fama de mentiroso. Um dia chegou em casa dizendo que vira no campo dois dragões-da-independência cuspindo fogo e lendo fotonovelas.
A mãe botou-o de castigo, mas na semana seguinte ele veio contando que caíra no pátio da escola um pedaço de lua, todo cheio de buraquinhos, feito queijo, e ele provou e tinha gosto de queijo. Desta vez Paulo não só ficou sem sobremesa como foi proibido de jogar futebol durante quinze dias.
Quando o menino voltou falando que todas as borboletas da Terra passaram pela chácara de Siá Elpídia e queriam formar um tapete voador para transportá-lo ao sétimo céu, a mãe decidiu levá-lo ao médico. Após o exame, o Dr. Epaminondas abanou a cabeça:
- Não há nada a fazer, Dona Coló. Este menino é mesmo um caso de poesia.
Carlos Drummond de Andrade. Poesia Completa e Prosa. Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 1988.
domingo, 27 de maio de 2012
Bracara Augusta
Nos últimos dias, Braga parece ter viajado numa máquina do tempo, enchendo-se de romanas e romanos. O centro da cidade ganhou fôlego e vivacidade, uma animação que nem a chuva conseguiu esmorecer. Para além dos espectáculos de rua, o mercado romano traz muito apelo e umas receitas para a crise: chás para a tensão arterial e a angústia, doçuras para os amargos de boca, o resgate de um certo tipo de ludicidade. E para aqueles mais incomodados com a imprevisibilidade do presente, há uma rua pejada de tendas onde poderão pedir auxílio a troco de 20 ou 5 euros que, pelos vistos, nem o esoterismo escapa à lei de mercado.
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