O acidentado do terreno não o torna muito apelativo a acrofóbicos, abissofóbicos e outros que tais. Mas é uma experiência em deslumbramento constante. E esta fóbica que daqui vos escreve, que tem uma relação difícil com precípios e acidentes topográficos afins, garante que vale a pena aguentar os tremeliques para apreciar esta raridade lusa. Continua a ser verdade: vencer os medos resulta em fotografias bestiais [entre outras coisas] :)))
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sexta-feira, 21 de setembro de 2012
domingo, 27 de maio de 2012
Bracara Augusta
Nos últimos dias, Braga parece ter viajado numa máquina do tempo, enchendo-se de romanas e romanos. O centro da cidade ganhou fôlego e vivacidade, uma animação que nem a chuva conseguiu esmorecer. Para além dos espectáculos de rua, o mercado romano traz muito apelo e umas receitas para a crise: chás para a tensão arterial e a angústia, doçuras para os amargos de boca, o resgate de um certo tipo de ludicidade. E para aqueles mais incomodados com a imprevisibilidade do presente, há uma rua pejada de tendas onde poderão pedir auxílio a troco de 20 ou 5 euros que, pelos vistos, nem o esoterismo escapa à lei de mercado.
terça-feira, 10 de abril de 2012
Sem rivalidade
A rivalidade entre Guimarães e Braga é conhecida aqui pelo Minho. E como é sobejamente sabido, as duas cidades detêm, em 2012, títulos de relevo, associados a iniciativas a condizer: uma é Capital Europeia da Cultura, a outra é Capital Europeia da Juventude. Coincidência? Competição? Creio que não. Tenho para mim que este foi um esforço concertado para visibilizar o Minho e Portugal. E para demonstrar que esta hipótese da concertação tem viabilidade, cá vem uma bracarense fazer a apologia de Guimarães, devidamente comprovada in loco: os monumentos, as praças, a gastronomia, o artesanato e as múltiplas iniciativas culturais serão excelentes motivos para passarem por lá. E, não se esqueçam, Braga é mesmo ali ao lado :-))
1. Paço dos Duques; 2. Praça da Oliveira (com o Padrão do Salado, ao fundo).
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
Vitamina C
A intenção era fotografar as camélias, mas a geada já fizera os seus estragos antes de eu lá chegar. O certo é que a Natureza sempre nos vai presenteando com alternativas e estas até me parecem bastante adequadas ao frio que se faz sentir: uns gomos de tangerina, um chá de limão e mel, um suminho de laranja, tudo vale para enfrentar este verdadeiro ente polar.
domingo, 29 de janeiro de 2012
Espera
Não gosto de esperar. Mas quando se espera num sítio maravilhoso, até agradeço que se atrasem. É que a espera preenchida pela beleza e tranquilidade não se assemelha em nada a uma espera convencional. Também os espaços onde esperamos devem ser cuidadosamente escolhidos. Os físicos e os outros, se tal nos for possível.
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| Parque da Fundação Calouste Gulbenkian |
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Luz!
Aproveito a luz que, por estes dias, invadiu esta praça central de Braga para reforçar os meus votos de que ela inunde também as vossas vidas nesta quadra e em cada dia do novo ano.
Para todos, sem excepção:
Um muito feliz Natal e um excelente ano de 2012!
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
Perto do mar
O corpo sabe.
O corpo não esqueceu ainda
a direcção do sol:
fará a casa perto do mar,
fiel ao quase adolescente
coração da água.
As mãos acesas – altas, altas.
Eugénio de Andrade, O Outro Nome da Terra, Instituto Cultural de Macau e Editora Montanha das Flores, p. 26.
1 e 2: Vista a partir do Centro Cultural Casa das Mudas, Calheta, Madeira.
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
Levada do Caldeirão Verde
A companhia permanente das águas e do verde. Os picos e escarpas que espantam. O olhar atento às irregularidades do trilho e o olhar que se expande para o horizonte. A luz e as sombras. As risadas e o silêncio mais profundo. As sonoridades minhotas e o carregado sotaque francês. Um almoço improvisado dentro de um gigantesco “caldeirão”. Uma poncha para rematar o caminho.
Há horas que se aproximam da perfeição.
Obrigada, A.!
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
"Imbicta"
A revista Lonely Planet propôs o Porto como o 4º destino mundial predileto para 2012. Apesar das desconfianças face a estes rankings, acho que, neste caso, não lhe faltam boas razões. Algumas fotografei-as esta semana, numa breve escapadela, aproveitando um esplendoroso sol outonal.
Neste caso, é inevitável recordar uma experiência vivida em Setembro, em Genebra. Uma das tarefas que lá nos levou foi a apresentação de um congresso que decorrerá no Porto, em 2012. É da praxe incluir uma breve incursão pela cidade que acolherá o encontro. Confesso que, nestes tempos tão difíceis, foi com grande emoção e orgulho que vi o grande ecrã encher-se com as imagens do nosso Porto e que ouvi, no final, os aplausos de pessoas vindas dos cinco continentes. Cá as esperamos, no próximo ano, nesta extraordinária cidade. Pedimos que tragam o cérebro e a carteira. Precisaremos de ambos :-)
1. Vista a partir da Ponte D. Luís; 2. Numa rua da Sé.
domingo, 25 de setembro de 2011
Em trabalho(s), por cá e por lá
Setembro tem sido um mês de trabalho intenso, razão que explica o mutismo da blogger. Uma pequena parte das tarefas implicou uma deslocação a uma cidade bonita, cosmopolita, conhecida por constituir um importante centro político e cultural europeu, já para não falar do seu famoso lago e jato de água, dos canivetes, relógios e chocolates. Sei que já adivinharam e que as imagens já não servirão para a identificar, mas tão-somente para fruir um pouco da sua beleza.
1.Jato de Água; 2. Lago Léman com alguns dos seus elegantes “locais”; 3. Catedral de Saint-Pierre; 4. Uma perspetiva da chegada do Outono, a partir do Promenade de Treille.
sábado, 3 de setembro de 2011
Um festival de jardins
É um festival original e pouco vulgar, em que a criatividade e o encantamento têm lugar marcado. Realiza-se anualmente em Ponte de Lima, sendo a edição deste ano evocativa de um tema sobejamente relevante: as florestas. Percorrendo os diversos jardins, é possível aceder a diversas perspectivas acerca deste tema, desde a sua associação à infância e ao imaginário, até à chamada à reflexão em torno de fenómenos como os incêndios, que todos os anos devassam este património insubstituível.
Deixo-vos aqui o convite para visitar este festival, que estará aberto ao público até ao dia 31 de Outubro. Garanto que vale muito a pena. Garanto também que a minha enormíssima costela limiana em nada perturba a lisura do meu julgamento :)))
1. A Floresta da Infância - Concepção da ideia e concepção técnica: Elise Le Duc, Laura Feliciani e Silvia Petrini.
2. A Floresta Pop-Up - Concepção da ideia e concepção técnica: Bruno Santos, Carla Rodrigues, Marina Costa e Radu Matt.
3. Jardim Radiante - Concepção da ideia e concepção técnica: Niklas Kandelsdorfer, Fabian Schicker, Philipp Stöger e DI Roland Wück.
4. Kaos Suspenso (jardim vencedor da edição anterior) - Concepção da ideia: MERGELAB: José Pedro Torres, Pedro Negrão e Teresa Aroso; Concepção técnica: MERGELAB, NEOT URF e STRUCONCEPT.
quarta-feira, 20 de julho de 2011
Esforço
No centro de Vila Nova de Cerveira é possível apreciar esta escultura, constituída por uma estrutura metálica triangular e um bloco de pedra, associados a um fluxo ascendente de água. Se nos aproximarmos da sua base, verificamos tratar-se de uma obra da autoria do escultor José Rodrigues, doada à cidade e intitulada “Esforço”. Observando a escultura mais atentamente, não há como não reconhecer a persistência, constância e direcção evocadas, ingredientes essenciais dessa palavra maior com que foi baptizada.
A propósito, o escultor José Rodrigues vai, muito merecidamente, ser homenageado na 16ª Bienal de Arte de Vila Nova de Cerveira, a decorrer entre 16 de Julho e 17 de Setembro. Aproveito para deixar esta sugestão para férias. Eu irei espreitar, certamente.
sexta-feira, 24 de junho de 2011
Boa sorte e fortuna
Para quem vive entre Braga e Porto, o S. João é incontornável. Por isso, ontem houve festa, menos pública e mais privada, mas sem negligenciar certas tradições. E nem faltou o alho-porro, captado quando ainda preso à terra. O tom azul é efeito de alguma asneira que fiz com a máquina, mas cujo resultado gostei :-). Aqui os deixo, sem pancadinha na cabeça, mas com votos de boa sorte e fortuna para todos.
sexta-feira, 10 de junho de 2011
De cara lavada
A Estação de S. Bento é um local por onde passo com alguma regularidade. Por isso, e apesar da beleza e imponência dos painéis de azulejos, o hábito acabou por matar o encantamento e há algum tempo que serviam apenas como cenário às minhas chegadas e partidas. Entretanto, foram sujeitos a obras de restauro durante vários meses, tendo ressurgido recentemente, de face lavada. O encantamento reavivou-se e creio não ser a única sob tal efeito, pela quantidade de flashes que por lá tenho testemunhado. Afinal, sempre são 550 metros de bela azulejaria portuguesa!
segunda-feira, 16 de maio de 2011
Experiência radical
Desta vez não houve saltos de parapente, apesar do entusiasmo que uma tal perspectiva produziu em alguns elementos do grupo. Eu não era um desses elementos. Para mim, o “voo” é outro. É um voo em que os pés não se distanciam do chão e em que a adrenalina não se espraia pelas veias. E, ainda assim, eu voo. Os meus olhos são uma asa colorida, lançada sobre o abismo, planando por sobre a majestade da serra, ganhando ou perdendo altitude por imperativo da vontade. E quem disse que esta não é uma experiência, também ela, radical? :-)
quinta-feira, 21 de abril de 2011
Engalanada
Braga engalanou-se de roxo por estes dias, simbolismo de Quaresma e chamariz para os turistas que nos visitam para as festividades da Semana Santa. Apesar de não ser grande apreciadora da cor ou da época, o facto é que acabei por achar, durante a incursão fotográfica de final de tarde, que a atmosfera criada era estranhamente serena. E até o cinzentismo do dia, tão malquerido noutras alturas, se revelou o enquadramento perfeito para este tranquilo passeio quaresmal.
Boa Páscoa para todos!
1. Rua do Souto; 2. Jardim de Santa Bárbara; 3. Rua D. Afonso Henriques
sexta-feira, 15 de abril de 2011
Beleza interior*
Para lá do exterior, há redutos onde a beleza se aninha, de forma mais ou menos secreta. Focar a “lente” nestes espaços recônditos é condição para vislumbrar o que a superfície oculta e aceder aos contornos essenciais, íntimos e sublimes da Beleza.
*Com um beijinho especial para a minha Mãe: porque fez anos recentemente, porque foi pelas suas mãos que surgiram as tulipas que originaram este post e, sobretudo, porque é possuidora de inegável beleza interior.
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Magnólias
Mostram-se em profusão floral por esta altura do ano, desafiando um Inverno ainda plenamente instalado. Contrariando uma certa lógica, lançam a flor antes da folha. Como se não conseguissem esperar. Como se essa mesma urgência fosse a expressão concreta e esplendorosa da nossa própria ânsia de Primavera.domingo, 6 de fevereiro de 2011
Desabrigados

Em trânsito pela estação de metro de S. Bento deparei-me com elas e fui espreitar. Por uma ampla extensão, espalhavam-se várias esculturas em tamanho real, representando pessoas sem-abrigo. Soube mais tarde que se tratava de uma exposição pan-europeia itinerante de esculturas de bronze do escultor dinamarquês Jens Galschiøt, inserida no projecto “Welcome HomeLess” e trazida a Portugal no âmbito do Ano Internacional contra a Pobreza e a Exclusão Social.
Não pude deixar de notar que, na correria da manhã, quase ninguém se aproximava delas. Assim como não pude deixar de ponderar a possibilidade metafórica desse facto. Não nos aproximamos. Nem destas, nem da realidade que representam, a daqueles que estão efectivamente lá fora, desabrigados.
Interpeladoras, logo ao início da manhã.
Não pude deixar de notar que, na correria da manhã, quase ninguém se aproximava delas. Assim como não pude deixar de ponderar a possibilidade metafórica desse facto. Não nos aproximamos. Nem destas, nem da realidade que representam, a daqueles que estão efectivamente lá fora, desabrigados.
Interpeladoras, logo ao início da manhã.
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Le Mur pour la Paix
Em tempo de fortes convulsões no Médio Oriente, trago aqui a presença ainda próxima do “Le Mur pour la Paix”, uma obra concebida por Clara Harter e Jean-Michel Wilmotte. Estrategicamente colocada num local associado ao belicismo - no Champ de Mars, em frente à École Militaire -, a obra tem-se tornado um símbolo dos direitos humanos e, naturalmente, da paz, palavra que aí se encontra inscrita em 49 línguas diferentes.
À semelhança do Muro das Lamentações, no qual se inspira, também aqui é possível deixar mensagens pessoais, desta feita em prol da paz. Não deixei lá nenhuma, mas faço-o agora: Que o seu simbolismo derrube outros "muros", não permitindo que lutas justas se desvirtuem e se transformem em meios a servir interesses perversos e perigosos.
À semelhança do Muro das Lamentações, no qual se inspira, também aqui é possível deixar mensagens pessoais, desta feita em prol da paz. Não deixei lá nenhuma, mas faço-o agora: Que o seu simbolismo derrube outros "muros", não permitindo que lutas justas se desvirtuem e se transformem em meios a servir interesses perversos e perigosos.

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