sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Distância

(…) a solidão não é viver só, a solidão é não sermos capazes de fazer companhia a alguém ou a alguma coisa que está dentro de nós, a solidão não é uma árvore no meio de uma planície onde só ela esteja, é a distância entre a seiva profunda e a casca, entre a folha e a raiz.

José Saramago, O Ano da Morte de Ricardo Reis, Caminho, p. 220


Parque das Termas da Curia, Anadia

14 comentários:

  1. Aqui, concordo com o Saramago.

    Tem piada...não tenho esta perspectiva do Parque.
    Também nunca fui na altura em que a fizeste.

    Um beijo.

    ResponderEliminar
  2. Sócrates já dizia "conhece-te a ti mesmo", assim sendo, quem sabe se nos conhecêssemos melhor, essa distância diminuiria em alguns quilômetros...

    Profunda essa passagem, boa para refletir.

    ResponderEliminar
  3. Gostei muito deste post e já vi este parque com esta perspectiva tão bonita!
    Bom fim-de-semana, Sara! :)

    ResponderEliminar
  4. Gostei muito da citação, que faz muito sentido. Gostei também da fotografia - lindíssima. Uma tia minha tinha casa na Anadia e fui muitas vezes à Curia quando era pequena.

    ResponderEliminar
  5. Olá Sara,
    Longe de pensar que a solidão é não estar rodeada de alguéns...é muito mais estar sózinho rodeado de pessoas...estar só connosco...não ouvir a nossa própria voz pelo silêncio dos nossos olhos, pela escuridão dos nossos ouvidos...
    Por vezes, são as pequenas luzes trémulas do fundo ocular que nos lembram: "Vive aqui gente!"
    Linda foto (as always)!
    Um beijinho!

    ResponderEliminar
  6. Solidão é algo vindo de dentro de nós... E podemos estar rodeados de tanta gente e tanta coisa!!! Corrói-nos as "entranhas".... já senti esta solidão! mas tb já desejei aquela solidão que nos dá tranquilidade e que nos permite sermos nós mesmos (exatamente o contrário da outra). Existirá mesmo mais do que uma solidão? Ou somos nós que a vivemos de forma diferente?
    bjs

    ResponderEliminar
  7. Há momentos para tudo:momentos em que estamos sós meio da multidão de tão alheios e perdidos que estamos e há momentos em que, apesar de estarmos fisicamente sós, estamos muito bem acompanhados....a alma reconfortada, cheia de amor, lembranças, sonhos e esperanças.
    Sem dúvida alguma que prefiro a segunda opção.
    Chamo lhe estar em Paz.Amén. ;)

    ResponderEliminar
  8. Sem dúvida que a solidão é sinónimo de distância, seja entre o próprio e os outros, seja entre o próprio e si mesmo. Transpô-la implica um exercício contínuo e deliberado de aproximação. Por vezes é duro, mas raramente desilude :)
    Um beijinho e votos de uma semana rodeada de benesses e com as chatices bem longínquas :)

    ResponderEliminar
  9. Apesar de ter tratado de uma outra maneira da solidão, acho muito interessante o que aqui editas.

    Quando li «O Ano Da Morte de Ricardo Reis» senti-me quase ungido pela sorte de ter sido contemporâneo do autor.

    Bjs

    ResponderEliminar
  10. "(...)a solidão não é uma árvore no meio de uma planície onde só ela esteja, é a distância entre a seiva profunda e a casca, entre a folha e a raiz.(...)".

    Poucas vezes encontramos frases que apesar de descreverem uma imagem simples e, por vezes desconcertante, expressam tão bem, com a delicada crueza necessária, a Verdade.

    E é só esta que nos impedirá algum dia de estarmos verdadeiramente sós (porque sós - dizem por aí - estamos de alguma forma desde que nascemos, nem que seja apenas no íntimo dos nossos pensamentos mais recônditos).

    Digo eu ...


    Abraço e muito bom final de semana.

    ResponderEliminar
  11. Na solidão tudo é mais intimo e puro.

    Não existe a opção à discussão.

    Sente-se muito, ama-se mais, é duro!

    Sendo efémero, existe, é a solidão!


    Abraços de amizade

    ResponderEliminar
  12. Belíssima visão sobre um dos males modernos que mais avança.

    Abraços renovados!

    ResponderEliminar