domingo, 6 de março de 2011

Black Dog


No filme O Discurso do Rei, Winston Churchill surge como um personagem secundário. Secundário no filme, mas centralíssimo na vida real, na sua e na de muitos. E ao ver a luta do rei contra a gaguez, não me pude inibir de pensar na luta do grande estadista contra a depressão, visita recorrente ao longo de toda a sua vida. Churchill denominava-a “Black Dog”. Mas, como em muitas outras lutas que enfrentou, também nesta, certamente dura e impenitente, poderemos concluir que a sua vida foi um exemplo de superação. E dou por mim a pensar se, por vezes, os seus famosos dedos em riste não representariam um certo triunfo privado sobre um indesejado cão negro.

13 comentários:

  1. Bom dia Sara
    Finalmente arranjaste tempo para ir ao cinema. Espero que tenhas gostado do Colin??? eh eh eh
    Tb vi Churchill no filme (quase passou despercebido) mas chamou-me a atenção a sua cumplicidade/partilha com o Rei a questão da gaguez. Sabendo de antemão que os filmes apresentam, por vezes, algo fantasioso podemos inferir que o estadista tb teria tido problemas com a arte de discursar... Quem diria???!!!
    Continuando no campo das probabilidades, talvez essas sejam o cerne do seu "black dog"?... figura metafórica para a sua índole depressiva. Mas aquele que a História deu a conhecer como homem de muitas guerras, com certeza terá vencido ou domesticado aquele cão preto que o perseguia!
    E como gosto de citações ou frases inspiradoras aqui vai uma do Churchill que nos pode fazer reflectir:
    "If I can't be loved, I'll find a way to be admired."
    PS:Quando fores à minha ilha diz, para poder fazer-te um "roteiro" das levadas mais bonitas que podes percorrer (uma das minhas irmãs já percorreu muitas vezes e tem uma amiga que é guia de levadas... imagina tu!)

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  2. Sara,
    Ontem fui ver o filme e irei registar as minhas impressões. Valeram os Óscares, saí da sala de cinema deliciada.
    Quanto ao Churchill é uma personagem política que admiro.
    Quando a 3 de Março, de 1945, atravessou a fronteira alemã, para registar a vitória disse aos fotógrafos «Esta é uma das operações ligadas a esta grande guerra que não deve ser reproduzida graficamente.» Os fotógrafos obedeceram às ordens, perdendo a oportuidade de publicar «o maior troféu fotográfico da guerra!»
    in Biografia de Winston Churchill de Sir Martin Gilbert, Lisboa: Bertrand, 2002, p.62.
    Isto diz tudo do grande estadista que aqui apresentou tão bem.
    Bom Domingo! :)

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  3. Um personagem absolutamente notável e polifacetado.
    Não esquecer a sua sensibilidade na pintura e na literatura, que de certo modo contrasta com uma determinação que não conhecia limites!

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  4. É possível, sim. É possível que reflectissem também prontidão, condição essencial para enfrentar e ultrapassar todo o tipo de 'negritudes'...
    Beijinho grande e votos de uma semana 'cristalina' :)

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  5. Que interessante. Ainda não vi o filme e não conhecia esse lado do Churchill.
    Acho que ainda fico com mais respeito por ele, por ter conseguido fazer tanto a lutar com uma depressão, porque é uma força que atira bem para baixo... Obrigada por esta partilha de conhecimentos.

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  6. tive mesmo pena não te ter acompanhado nesta sessão...vou ver se compenso!;)
    o Colin vale sempre a pena!!
    e pensar que a nossa Lúcia Moniz já contracenou com este vencedor do Óscar..uauuu :)

    feliz dia da mulher!!beijoooo

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  7. De tantas facetas e lutas é feito um homem grande como esse foi. E que mal "representado" está no filme - é uma pena...

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  8. No Sec. XX, em cada época houve, Ocidente, três políticos que marcaram:

    Churchill
    Ganhou a Guerra e perdeu as eleições logo a seguir à rendição da Alemanha;
    H.Schmidt e a sua «Real politik», não há países amigos, há interesses entre países;
    Kinsinger
    O seu modelo de diplomacia e a energfia inesgotável para negociar.

    Se fizermos um ranking dos actuais dirogentes mundiais, à diferenças e capacidades muito aquém das daqueles.

    Gostei muito do comentário deixado no Guizo e da referência ao Mito do Rio Lethes.
    A História da Antiguidade Clássica está cheia de exemplos eloquentes.
    Conhecerás o Mito do Anel De Gyges.
    O pastor encontra um corpo com um anel.
    Coloca o anel no dedo e descobre que ele lhe garante a invisibilidade.
    Questão moral:
    Algum homem resistiria à tentação do mal se soubesse que os seus actos não seriam testemunhados?

    Bjs

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  9. A história é sempre a mesma, penso eu, inventamos gestos e palavras para sublimar os ´monstros` que por vezes conspiram em nós alguns personagens indesejados.

    Eu baixei esse filme, comece a ver, mas nao terminei. Ainda vou tirar um tempo para ver até o fim, ver se ele foi realmente digno de um trofeu ;)

    Beijinhos alegres de serpentina em quarta feira carnavalesca!

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  10. Por vezes os grandes
    são maiores
    quando assumem com prazer
    papeis secundários

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  11. Do filme não posso opinar, não o vi, geralmente não vou ao cinema, mas sim reconheço que estamos ante um dos homens que deixou feitos relevantes que marcaram toda uma época.
    "As memórias de Churchill", que a minha editorial publicou em seis livros, com excelentes fotografias e documentos, deram a conhecer a realidade dum personagem que foi decisivo num momento critico.
    Recordo, especialmente, uma frase sua ao finalizar a guerra:
    "Uma guerra nunca resolve nenhum problema. O que faz é criar outros novos."
    Isto ao fazer referencia às fábricas de armamento que já não serviam para nada e as muitas carências que haviam de tudo.

    Um abraço e a minha amizade

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  12. Só hoje encontrei o comentário da Sara em "Dificuldades de Leitura" que agradeço.
    E o mais engraçado é que vi ontem "O Discurso do Rei".
    De facto, Churchill surge como personagem secundária mas todos nós sabemos o grande estadista que foi!
    Tenho em casa uma biografia dele para ler, já vai sendo tempo de o fazer!

    Abraço

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